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Passeios Químicos em Madrid entre o Natal e o Ano Novo de 2025

[Fomos alguns dias a Madrid no Natal de 2025, essencialmente para a ver a exposição sobre Robert Capa no Círculo de Belas Artes e as exposições-diálogos entre Wahrol e Pollock (Warhol, Pollock and other American spaces) e Picasso e Klee (Picasso and Klee in the Heinz Berggruen Collection) no Museu Thyssen-Bornemisza]

Já não iamos a Madrid há alguns anos (ver aqui e aqui e Saz, 2018) e agora há uma muito maior precupação - e bem - com as emissões de gases dos carros. Na nossa casa temos um carro a gasóleo – e é o único que temos – cujo motor funciona pela queima de hidrocarbonetos, os quais podem ser aproximados (no caso do gasóleo) pela fórmula C12H26, produzindo-se assim 12 moléculas de dióxido de carbono por cada molécula de hidrocarboneto queimada.

Pelo menos 7% deste combustível tem de ter origem não fóssil e renovável (é o chamado biodiesel que é assinalado com um quadrado branco com um um sete nas bombas de gasolina), mas neste momento já há carros que usam gasóleo 100% renovável (HVO, hidrogeneated vegetal oil), o qual só está disponível, no entanto, para empresas. Este gasóleo é, por agora, tanto quanto percebi, mais caro e as perolíferas não divulgam publicamente o seu custo. Como se pode imaginar, estes combustíveis exigem uma grande quantidade de gorduras, o que origina periodicamente os óelos usados serem mais caros do que os virgens ou muita procura por óleo de palma cuja produção intensiva também não é boa para o ambiente. As reações químicas de produção de biodiesel são relativamente simples e chamadas pelos químicos de esterifiação correspendendo de forma simplificsada a R1COOH+R2OH→ R1COOR2+H2O

Por outro lado, estão a ser desenvolvidos métodos para o uso de outros tipos de desperdícios de gorduras que não apenas os dos óleos usados. O que ressalta disto é que vivemos num mundo muito complexo que envolve um número muito grande de relações também complexas. Claro que isso não nos deve, nem pode, impedir de agir, mas dever-nos-á alertar para o facto de não existirem quase nunca soluções simples e que as melhores soluções são muitas vezes inesperadas.  

Íamos ficar alojados na Zona de Baixas Emissões (ZBE) e pedimos autorização para entrar na cidade com o carro (deve pedir-se com antecedência de 20 dias). O nosso carro, embora seja de gasóleo, é Euro 5 (mais à frente comentarei os carros mais modernos Euro 6) e estava dentro das condições requeridas, mas mesmo assim havia zonas centrais da cidade onde só poderia passar para estacionar num parque. Basicamente, nas ZBE mais restritivas só podem circular carros elétricos que não emitem gases com efeito de estufa. Estes, para além de não emitirem gases, têm menos componentes o que torna a sua produção mais sustentável. Mas, obviamente, não são completamente isentos de problemas ambientais.
Desde logo, as baterias que são de lítio e cobalto. A obtenção destes elementos, tem obrigado à muito maior exploração destes recursos minerais. Já começam a existir baterias sem cobalto e baterias de ião sódio, mas ainda estamos longe de ter o problema resolvido pois o crescimento da produção de carros elétricos tem sido exponencial. Estão a ser estudados também outros tipos de baterias como as de metais e ar, mas também ainda estamos longe da sua produção em massa. Também a produção de eletricidade pode originar problemas ambientais, nomeadamente a que é obtida por queima de metano ou carvão.
No primeiro caso a sua produção em ciclos combinados é mais eficiente do que a queima de hidrocarbonetos nos carros, mas a sua eficiência ainda ronda os 60% (referi isso a propósito do Passeio Químico em Setúbal). Também as eólicas, as centrais fotovoltaicas e as barragens hidroelétricas não são isentas de questões ambientais. Desde logo o cimento e os espaço que tem de ser usado. Depois, se as primeiras usam grandes quantidades de terras raras, as segundas necessitam de silício de grande pureza, etc. Em qualquer dos casos, a análise completa dos processos envolvidos tem mostrado que são os carros elétricos mais vantajosos ambientalmente. Mas podemos ainda ir muito mais longe: produzir carros mais pequenos que usem menos recursos e emitam menos partículas dos seus pneus quando em circulação, ou andar mais a pé, de bicicleta e de transportes públicos.

No bairro de Arganzuela, junto ao rio Manzanares, situavam-se alguns dos equipamentos que faziam funcionar a cidade de Madrid no início do século XX, nomeadamente o matadouro e o gasómetro. O primeiro está agora transformado num centro cultural e de lazer (Centro de Créación Contemporânea) e do segundo resta o nome de uma rua e um parque com uma chaminé (onde não fui). O matadouro funcionou até 1996 e tem uma área bastante grande com pavilhões onde eram abatidos os diferentes animais (tem ainda as placas de cerâmica com as designações dos animais), um depósito de água e vários outros equipamentos. 

Chamou-me a atenção existir uma porta identificada com o nome de laboratório, onde seriam analisadas as carnes dos animais. Provavelmente não irão gostar do que escreverei a seguir por ser demasiado cru, por isso podem saltar para o parágrafo seguinte, mas, na minha opinião, estes números continuam a existir algures e deveremos ter consciência deles - o abate de animais para alimentação continua a ser feito, mas cada vez mais afastado das nossas vistas. Na região central de Madrid vivem cerca de 3.5 milhões de pessoas. Se essas pessoas consumirem cerca de 100 gramas de proteína, mesmo que metade das pessoas seja vegetariana o número de animais abatidos por dia será da ordem dos milhares (estimativa com um valor médio do peso de um bovino de 500 kg, ovelhas de 100 kg e galináceos de 5 kg). E os números de 1996 não serão muito diferentes pois a população era mais ou menos a mesma em quantidade de pessoas. 

Entretanto, estes milhões de pessoas têm de ser alimentados. Além da proteína vegetal, modificada  (ou não) geneticamente, ou produzida (ou não) por biotecnologia, há experiências interessantes com o que é designado como “agricultura celular” ou por “carne cultivada” nas quais são produzidos carne a partir de células de animais vivos, sem que este tenham de ser abatidos. Os problemas de aspeto e sabor já estão em boa parte resolvidos, mas o principal problema continua a ser o custo. Esta proteína é ainda muito cara e por isso não é competitiva economicamente num mundo em a carne dos animais abatidos é muito mais barata. Outra possibilidade é o uso da proteína proveniente de insetos, mas também em relação a isto há alguma resistência na sociedade. O ser humano é bastante incoerente: não gosta de ver matar animais, mas pode ao mesmo tempo salivar por um bife ou costeleta se não souber de onde estes vieram.  

No matadouro visitámos uma exposição de Cristina Mejías (“Lengua em coro, cuenta”) que consistia numa instalação numa zona escura, iluminada com luzes cenográficas, onde circulava água, tendo como canos e recipentes diferentes materiais (madeira, bambu, vários tipos de metais, vidro, fibra de vidro e plástico – foram os em que repare). Eram bastante bonitas as imagens, os reflexos nos vidro e água e a oxidação de alguns metais. Curiosamente, reside aqui uma das grandes possibilidades da arte moderna. Uma instalação parecida, embora menos complexa e com menos partes inúteis, mas potencialmente igualmente bela poderia ser feita por um agricultor imaginativo, para regar as suas plantas. Entretanto, ouve-se cada vez menos a triste expressão: “eu também poderia fazer isto”. Mas, paradoxalmente, faz sentido. Não no sentido de desvalorizar a arte moderna, mas mas para reafirmar que todos somos artistas em potência, embora alguns muito melhores do que os outros, claro, e que poderemos encontrar beleza e motivos para refletir sobre qual é a nossa posição no mundo, em tudo o que nos rodeia. O exemplo clássico é Pablo Picasso e até será interessante citá-lo pois irei mais à frente referir uma exposição com quadros dele. Toda a gente "sabe" que este sabia desenhar, mas foi ao longo tempo trabalhando as suas imagens para obter os efeitos que agora nos fascinam. E poderemos ainda ir mais atrás: os pintores considerados clássicos e os melhores pintores académicos queriam-nos dizer alguma coisa que quase numa era a simples reprodução acrítica da realidade. 

Eu também visitei nesses dias o Museu do Prado (valeu a pena ficar nas filas) e quem já viu com atenção as Meninas de Diego Velázquez, as Majas de Francisco de Goya e muitos outros trabalhos, sabe a que me refiro (Museo Nacional del Prado, 2019). As sensações estéticas (e não me refiro à emoção básica de estar ao lado de obras famosas) são devidas a coisas muito para além da reprodução formal da realidade (pense-se noutros artistas presentes no Prado, por exemplo, El Greco, José de Ribera, Caravaggio, Tintoretto ou Tiziano). Uma quase magia das telas e da pintura a óleo é que parecem, especialmente se bem iluminadas e restauradas (retirando o pó e os vernizes que as recobriam e escureciam) que acabaram de ser pintadas. Isso acontece, penso eu, por os pigmentos usados serem muito coloridos e brilhantes, já que os óleos secam em poucos dias. 

Alguns pintores, como El Greco, usavam pó de vidro para misturar com os pigmentos para maximizar esse efeito (referi isso, assim como a química dos pigmentos usados no Passeio Químico em Toledo e mais informações podem ser obtidas em Smith, 2003). Referi ainda nesse passeio, o uso de resina de pinheiro, mas isso acarreta alguns problemas de conservação a longo prazo, segundo li agora: escurecimento e formação de rachadelas. Na exposição-diálogo Wharol e Pollock (Museo Nacional Thyssen Bornemisza, s.d.b) há um efeito brilhante numa tela negra na qual Wharol usou pó de diamante. Diz-se que "os diamantes são eternos" mas os químicos sabem que são um estado metaestável do carbono, sendo a grafite mais estável. Há também uma frase que gosto muito de Michael Faraday: "a vela é mais brilhante do que um diamante, pois tem luz própria".

O matadero e o gasómetro ficavam na parte Sul de Madrid junto ao rio Manzanares no bairro de Arganzuela, sendo agora esta parte da cidade chamada Madrid-Rio. Estava frio e a chover e acabámos por não explorar a zona, mas há pelo menos duas pontes que parecem valer a pena visitar. Também não fomos ao Palacio do Cristal de Arganzuela construído pelo arquiteto Luis Bellido e González entre os anos 1908 e 1928 e reabilitado em 1992. O acesso a um site com mais informações não parece ser fácil de assnalar (o link está sempre a mudar) mas pode chegar-se lá pelo site do Turismo, mas uma vez acedido temos acesso a a um conjunto de informação muito interessante sobre as espécies disponíveis na estufa (Turismo de Madrid, s.d.), o mapa do Palácio de Cristal e também sobre as pontes sobre o rio e a qualidade da sua águas do Manzanares.
Segundo li, uma parte estava encanada (eu nem sabia que Madrid tinha um rio) e debaixo de autoestradas de acesso a Madrid, mas agora há um movimento de renaturalização e depuração das suas águas. Já referi em vários passeios os esqueletos dos gasómetros onde o gás era armazenado e distribuído pela cidade, que a qui em Madrid já não parecem existir. A produção de gás era feita por aquecimento de carvão a cerca de 1000ºC. Um pouco por acaso, fui dar à famosa feira do Rastro. À primeira vista não é muito diferente das nossas feiras atuais mas é interessante pela mistura de produtos que oferece e pela riqueza e contacto humanos. 

No Círculo de Belas Artes fomos ver a exposição sobre Robert Capa (1913-1954) (Círculo de Bellas Artes, s.d.c), autor de fotografias emblemáticas da Guerra Civil Espanhola, da Segunda Guerra Mundial, da primeira Guerra Israel-Árabe e da Guerra da Indochina (onde morreu com 40 anos ao pisar uma mina terrestre). Achei especialmente interessante, estarem lá muitas das fotografias originais que foram usadas para as publicações, assim como cartas e outros objetos pessoais. Curiosamente, várias fotografias icónicas estão ligeiramente desfocadas ou tremidas, mas é precisamente isso que as torna muito mais interessantes, pois foram tiradas em situações perigosas ou difíceis e criam uma dinâmica que consideramos hoje genial. Robert Capa costumava dizer que "se a fotografia não é interessante não tinha sido tirada suficientemente perto”. 

No Círculo de Bellas Artes havia também a exposição “¡Aquí hay petróleo!” (Círculo de Bellas Artes, s.d.a), que toma o nome de uma comédia de 1955, que aborda, segundo os seus curadores, “as relações entre os combustíveis fósseis, as forma contemporâneas de poder e os imaginários do desejo” em particular durante o franquismo até ao presente. Achei interessante a exposição, por um lado parecer apresentar uma tensão (que já tinha notado em Valência) entre o olhar olhar atual em Espanha e o passado e o que resta do franquismo, e, por outro lado, por explorar uma estética irónica que a relaciona com o “machismo tóxico”, usando expressões com “petromasculinidade e fascismo fóssil”. Ironia à parte, trata-se de um assunto muito sério, pois o franquismo abraçou abertamente a modernidade e a industrialização, em particular química, ao mesmo tempo que era repressivo para as pessoas e ambientalmente desplicente. Infelizmente, o preço dessa modernidade, mesmo quando as alternativas eram ainda piores, foi (e ainda é) demasido alto. Foi também apropriado pois ainda estava a refletir sobre as ZBE.

Ainda no Círculo de Bellas Artes, fui uma a exposição com obras de Martín Chirino (1925-2019) (Círculo de Bellas Artes, s.d.b) o qual foi responsável pela rearticulação do Círculo de Bellas Artes de 1983 a 1992, segundo é dito na apresentação dos seus trabalhos. As suas esculturas metálicas têm valor artístico em si, mas o que me chamou mais a atenção foi o uso de diferentes metais e ligas metálicas o qual origina cores e superfícies diferentes, onde impera a figura gemétrica da espiral. O Círculo de Bellas Artes foi fundado em 1880 e é um edifício (na página dizem ser arquitetura neo-clássica) na Rua de Alcalá, perto da Gran Via, interessante em si mesmo, com uma explanada no sétimo andar que se paga para aceder (seis euros só o acesso ou um euro a somar aos valores dos bilhetes das exposições) onde há uma grande estátua de Minerva e se tem uma vista privilegiada da cidade.
As salas onde estavam as exposições eram da cave ao primeiro andar, mas continuando a subir passa-se por um salão de baile, uma sala de jogos e uma biblioteca (para associados, mas podem ser alugados as salas de baile e de jogos) e por muitas outras salas que podem ser alugadas, em particular duas que tinham os nomes de Maria Zambrano (falei dela a propósito de um Passeio Químico em Segóvia) e Ramón Goméz de la Serna. A entrada faz-se por uma rua lateral pois na rua principal tem uma cafetaria. O Círculo tem também uma sala de espetáculos, um cinema, uma rádio e uma revista (denominada “Minerva”).   

No Museu Thyssen-Bornemisza fomos ver as exposições-diálogos de Klee e Picasso e Pollock e Warhol (Museo Nacional Thyssen Bornemisza, s.d.a; s.d.b). Para a primeira não havia hora marcada e fomos visitar de imediato. Não tivemos grandes surpresas, nem o diálogo nos pareceu, inicialmente, muito frutifero (à primeira vista parecia um diálogo de surdos). No site dizia que “Picasso e Klee não podiam ser mais diferentes” mas partilharam, no entanto, temas e atitudes, uma “estratégia redutora e deformadora análoga” e uma forma “similar de utilizarem a arte como arma de transgressão”. Curiosamente, foi nesta ida a Madrid que reparei que as espadas dos toureiros matadores eram muito pequenas e um quadro Picasso reproduz bem isso. 

Esta exposição estava integrada na visita ao museu e acabei por ver todos os quadros. Com objetivos pedagógicos, havia modelos de quadros em relevo para cegos e de um dos quadros podia ser visto a análise das suas imagens obtidas em Infravermelho e de de outras formas. Não sei se a fotografia que fiz dá uma boa ideia do efeito, mas achei interrssante. Na minha opinião, ainda não atingiram a eficácia  e a extensão dos museus da Grã-Bretanha que visitei e referi a propósito dos Passeios Químicos em Londres e Escócia mas, mesmo assim, achei muito bem feito. 

Na exposição-diálogo entre Warhol e Pollock estavam os quadros ditos da “oxidação” (The Warhol, s.d.) e da “urina” de Andy Warhol, que eu não conhecia. Ambos os conjuntos de quadros foram “regados” com a urina de Warhol ou dos seus amigos, mas no primeiro conjunto as telas foram primeiro pintadas com uma tinta metálica de cobre ou de outras ligas e no segundo foram “regadas” as telas de pano cru. No primeiro caso, se as tintas metálicas forem de cobre, a urina promove a oxidação do metal, originando manchas verdes de sais de cobre (II). Mas a questão é muito mais complexa pois dependia da alimentação e fisiologia dos “executantes”. Notam-se também manchas mais escuras que podem ser de sais de cobre (I), os quais são castanhos avermelhados, ou de outros materiais.
Nas telas de pano cru, a urina originou manchas mais escuras que tanto podem ser devidas à oxidação do algodão da tela como a reação com outros materiais. Sabe-se, no entanto, que o estúdio cheirava bastante mal nos anos 1970 e que havia uma grande fixação na toma de vitaminas. Os estudos disponíveis não são muito claros sobre as composições, mas parece certo que é a ureia da urina que promove a oxidação. Esta moléculas está presente na urina (cerca de 20 g por litro ou 2%) e é em boa parte responsável pelos efeitos coloridos da formação de sais verdes de cobre (II) e (em muito menor quantidade), avermelhados de cobre (I). Não deixa de ser curioso que a ureia esteja a ser estudada para uso em células de combustível de carros. Uma coisa menos boa é que se forma dióxido de carbono nestas células (ânodo: NH2)2CO+6OH-→N2+ CO2+5H2O+6e-, cátodo: O2+2H2O+4e- →4OH-). 

Entretanto, nos automóveis classificados como Euro 6, é usada uma reação similar da ureia para eliminar os óxidos de nitrogénio (NOx) gerados combustão a altas temperaturas pela reação entre nitrogénio e oxigénio do ar, 6NO2 + 4 (NH2)2CO → 7 N2+ 4CO2 + 8H2O. Para isso é usada uma solução muito concentrada de ureia que atura sobre os gases de escape. Por exemplo, o AdBlue da Galp (s.d.) é uma solução aquosa de 32,5% de ureia. Assim, formos dos automóveis até arte e desta de novo para os automóveis, através da ureia! (A foto foi já tirada em Portugal, numa estação de serviço da Guarda) 

No Jardim Botânico de Madrid, como é inverno, muitas plantas estão adormecidas, mas se estivermos com atenção podem ainda ver muitas coisas interessantes. Quem me conhece, sabe que reparo sempre nos teixos (Taxus baccata). (Já referi a sua importância na produção de um medicamento para o cancro nos Passeios Químicos em Nova Iorque e Porto  entre outros locais) Há bastantes exemplares desta planta neste jardim que, além de estarem presentes em sebes, estão em exemplares de tupiária e bonsai e árvores. Também me chamou a atenção os metais nos tanques de água que parecem ser de zinco e os grampos de ferro chumbados com... chumbo. Mas disso eu já falei em vários passeios.

Encontro sempre alguma coisa nova, ou motivo de surpresa, nos Jardins Botânicos. Nas estufas, além do cafeeiro, que estava cheio de frutos (é a partir da semente, que depois de torrada, fazemos o café, estando nesta a cafeína), reparei numa pequena trepadeira que (estava assinalada) ser a pimenta (Piper nigrum). Eu nunca tinha visto (que me lembre) a planta e vi entretanto que é cultivada de outras formas. 

Havia também uma exposição muito bonita de fotografias de mulheres na ciência nas universidade bascas.

Entretanto regressámos, não antes de comermos vários salmorejos (os quais não eram muito diferentes do que faço) e provarmos novos e imaginativas pratos e renovadas formas de ver e agir sobre o mundo.   

Referências

Círculo de Bellas Artes (s.d.a) ¡Aquí hay petróleo! https://www.circulobellasartes.com/exposiciones/aqui-hay-petroleo/ (acedido 8 de janeiro de 2026)

Círculo de Bellas Artes (s.d.b). Martín Chirino. Memoria del Círculo. https://www.circulobellasartes.com/exposiciones/martin-chirino-memoria-del-circulo/ (acedido 8 de janeiro de 2026).

Círculo de Bellas Artes (s.d.c). Robert Capa. Icons https://www.circulobellasartes.com/exposiciones/robert-capa-icons/ (acedido 8 de janeiro de 2026).

Galp (s.d.). Adblue: o que é e para que serve? https://www.galp.com/pt/pt/particulares/estrada/blog/detalhe/adblue-o-que-e-e-para-que-serve (acedido 9 de janeiro de 2026).

Pepo Paz Saz (2018). Un corto viage a Madrid. Anaya Touring.

Museo Nacional del Prado (2019). La Guía del Prado.  

Museo Nacional Thyssen Bornemisza (s.d.a). Picasso y Klee en la colección de Heinz Berggruen. https://www.museothyssen.org/exposiciones/picasso-klee-coleccion-heinz-berggruen (acedido 8 de janeiro de 2026).

Museo Nacional Thyssen Bornemisza (s.d.b). Warhol, Pollock and other American spaces. https://www.museothyssen.org/en/exhibitions/warhol-pollock  (acedido 8 de janeiro de 2026)

Museo Nacional Thyssen Bornemisza (s.d.c). Warhol, Pollock and other American spaces. Guía didático 42, 2025.

Ray Smith (2003). Guia do Artista. Dorling Kinderley.

The Warhol (s.d.). Oxidation Paintings. https://www.warhol.org/conservation/oxidation-paintings/ (acedido 9 de janeiro de 2026).

Turismo de Madrid (s.d). Estufa do Palácio de Cristal de Arganzuela. https://www.esmadrid.com/pt/informacao-turistica/invernadero-del-palacio-de-cristal-de-arganzuela (acedido 8 de janeiro de 2026).


Passeio químico virtual em Timor-Leste [Virtual chemical trail in East Timor]

[Preparei este passeio químico virtual em Timor-Leste em parceria com o professor Jorge António que está em Timor e é autor de todas os fotografias e me sugeriu algumas temas e leu o manuscrito. No entanto, os lapsos que eventualmente possam existir, são da minha responsabilidade.]

As paisagens, que apenas conheço de fotos e filmes são incríveis. Concentremos-nos no céu e no nascer e pôr-do-sol. De onde vêm estas cores? Afinal o ar da atmosfera é constituído essencialmente por nitrogénio, oxigénio e vapor de água, que são transparentes (1). Mas nós vemos azul no céu, branco nas nuvens e cor-de-laranja e vermelho no nascer e pôr-do-sol ... Vamos tentar perceber. Os raios de luz vêm do Sol e são espalhados pelas moléculas e partículas atmosféricas. O espalhamento é proporcional ao inverso do comprimento de onda levantado à quarta potência. Assim, o maior espalhamento visível é no violeta e no azul. Vemos o céu azul pois não olhamos diretamente para o Sol, olhamos para os lados para onde é espalhada a radiação e somos menos sensíveis ao violeta. Entretanto, quando o Sol está muito baixo, a luz a atravessa uma maior camada da atmosfera, e, quando chega até nós, já quase não tem violeta e azul e assim vemos o vermelho e o laranja que são também espalhados. Curiosamente, neste caso, já é possível olhar diretamente para o Sol e vemos claramente que já não tem os violetas e os azuis. Por outro lado, as nuvens espalham todas as cores várias vezes (espalhamento múltiplo) e apararem brancas. Muitas das coisas brancas que vemos, como o leite, são desta cor devido a este fenómeno.

O calor e a humidade, que são muito grandes em Timor-Leste, parecem também ter um papel nestas cores fantásticas. É preciso que se entenda que a quantidade de um vapor em equilíbrio com o seu líquido só depende da temperatura (considerando a pressão fixa). Ora, então, podemos ter uma maior quantidade de vapor de água na atmosfera, se estiver mais quente. E basta que a temperatura baixe ligeiramente para que uma parte dessa água passe ao estado líquido. Para a riqueza de cores pode contribuir haver mais moléculas e partículas na atmosfera. 

No caso dos animais, calor e humidade podem ser problemáticos, pois uma das formas que estes têm para arrefecer é suar - libertar vapor de água que condensa na pele e arrefece todo o conjunto, pois a condensação é um processo endotérmico. Mas, se no exterior tivermos temperaturas mais elevadas que as do nosso corpo e tivermos o ar com a humidade máxima, suar é muito difícil.

Timor-Leste é um Estado com cerca de 15 mil metros quadrados e um pouco mais de um milhão de habitantes (de acordo com os censos de 2010), situado numa ilha estratégica para as ligações entre os Oceanos Índico e Pacífico. Teve, à semelhança de outros estados da região, uma história atribulada com muitos constrangimentos, tendo tido, por último, a brutal ocupação da Indonésia entre 1975 e 1999. Depois da independência, em 1999, com a renegociação dos acordos de exploração de petróleo e gás no Mar de Timor, tem vindo a obter dividendos deste setor. Mas os seus governantes sabem que estes dividendo não são eternos. As projeções das receitas do petróleo, datadas de 2008, mostram que se prevê que estas poderão acabar em 2050, prevendo-se que em 2022 estejam em cerca de 700 milhões de dólares e que em 2044 nos 400 milhões de dólares. O petróleo não serve só para ser queimado como combustível. Podemos obter dele muitas coisas pois é uma matéria muito versátil. Embora o setor dos combustíveis seja ainda o mais importante para as economias, pois continuamos a precisar de muita energia, desde a obtenção de eletricidade a muitas outras coisas, esta material encerra muitas outras possibilidades. Entretanto, paralelamente a novas descobertas e formas de exploração de petróleo, procuramos novas formas de obtenção de energia. Nesse, contexto, a educação e a preparação científica e técnica dos habitantes são as maiores riquezas potenciais de um Estado. Para o desenvolvimento sustentável de Timor-Leste é preciso sem dúvida contar com a Economia do Mar. E isto envolve melhores formas de obtenção e uso do petróleo, construção e gestão de portos modernos, exploração de recursos marinhos como peixes e algas, entre muitos outros. E, como referi, tudo isto exige preparação científica e técnica, em particular de química. Pense-se nas novas e nas rotineiras análises químicas e em ancestrais e novos processos e materiais, por exemplo.

Timor é também muito conhecido pelo seu café. Como quase todos sabem, o café é obtido da semente do fruto do cafezeiro, conhecido como grão. Este é torrado e, nesse processo, aparecem muitos dos aromas caraterísticos que estavam ausentes na semente verde. A molécula mais conhecida do café é a cafeína, um alcalóide da família das xantinas. Para obter café, o grão é torrado e moído. Depois a água a ferver, ao entrar em contacto com o pó, extrai as moléculas aromáticas e a cafeína. Isso era feito antigamente em cafeteiras onde a água estava simplesmente em contacto com o pó, ficando junto aquilo que é conhecido como “borra,” ou a solução sobia para um reservatório superior por um pequeno tubo, devido ao aumento de pressão, ou a água a ferver passava simplesmente por gravidade através do pó, no chamado café de saco. Nas máquinas expresso o pó é mais fino, mas a água quente continua a passar pelo pó, mas agora com mais pressão, resultando na extração das essências e cafeína e na espuma caraterística deste café.   

Se a descoberta e otimização de processos para obter café pode ser considerada complexa, a do cacau é ainda mais. Como é que se lembraram dela? Mais uma vez, só se usa a semente da planta, que no cacau fermenta ao Sol. Depois esta é também torrada, mas julgo que menos. Dessas sementes fermentadas e secas faz-se uma bebida amarga ou extraem-se gorduras, mas a ideia de chocolate é ainda mais complexa. Ao misturar-se o cacau com açúcar, procura-se obter uma estrutura cristalina que tem uma região de fusão muito próxima da temperatura ambiente e é mais aberta, misturando de forma harmoniosa o doce do açúcar com o amargo do cacau. Por ter uma região de fusão próxima da do ambiente, o chocolate “derrete” na boca. Isto tem um pequeno senão: se o chocolate fundir devido a temperaturas ambientes altas, raramente volta à mesma estrutura cristalina mas antes a uma outra estrutura com maior região de fusão e mais fechada que achamos menos agradável.    

Naquilo que pode ser considerado cómico, mas mostra algumas das fragilidades do sistema de publicação e da falta de espírito crítico, Bohannon e colaboradores, em 2015, conseguiram publicar, de propósito, vários artigos em que “demonstravam” que o chocolate com alto teor de cacau era bom para emagrecer! Depois de aceites e publicados os artigos, a burla foi publicitada pelos próprios. Na verdade nem seque é lógico: emagrecer, comendo açúcar! Mas, curiosamente, há dietas ditas “do chocolate”!   

Finalmente, refiro que usando vários tipos de métodos de análise química é possível com grande precisão identificar a origem geográfica do cacau, da mesma forma que se pode fazer com o café.  

Falemos agora de outras coisas menos conhecidas mas que impressionam quem não é local. Nas fotos vemos uma borboleta gigante. Penso que possa ser uma Argema mittrei. Chamo aqui a atenção para as as preferências da lagarta baseadas em odores: eucaliptos e liquidambares, segundo li. Muitas lagartas são assim: escolhem um tipo de planta específica. A lagarta do bicho-da-seda, que só quer amoreiras, é a mais conhecida. Finalmente, compostos químicos, conhecidos como feromonas, têm um papel fundamental na atração entre as borboletas fêmea e macho. 

Achámos também interessante a forma de cozinhar carne no bambu. E já agora o que é cozinhar carne? De forma simples é levar as proteínas a desnaturar e a reagir com os glúcidos, fenómeno que origina sabores que gostamos muito e que é conhecido como as reações de Maillard. Para além disso, envolve fundir as gorduras, espalhado-as e tornando-as mais fluidas. E, finalmente, torrar ligeiramente as proteínas, gorduras e glúcidos, originando mais uma cascata de aromas e sabores que não existiam na carne crua. E porque se pode cozinhar no bambu verde sem que este se queime? Devido à água. Enquanto houver água a ferver, a temperatura não sobe mais de cem graus.

Aqui em Portugal, habituamos-nos a ver papaias nos supermercados separadas (2). Mas na árvore estas frutas formam um cacho. A Carica papaya é rica em varias vitaminas, mas muito curiosa é uma molécula anti-helmintica que contém, o isocianato de benzilo. Mas atenção, essa molécula está presente apenas nas sementes. Portanto, comer papaia não tem ação anti-helmíntica automática.

Espero poder voltar a fazer este passeio sem ser de forma virtual!


(1) A composição da atmosfera mais conhecida (78% de nitrogénio e 21% de oxigénio) refere-se ao ar seco. A quantidade de vapor de água pode ir quase até aos 4% dependendo da temperatura.

(2) Isso é agora, pois antes era um fruto exótico difícil de encontrar nos supermercados em Portugal. 

[verified semi-automatic translation]

[I prepared this virtual chemical tour in East Timor in partnership with Professor Jorge António, who is in Timor and is the author of all the photographs and also suggested some topics and read the manuscript. However, any lapses that may eventually exist are my responsibility.]

The landscapes, which I only know from photos and films are incredibly nice. Let's focus on the sky and the sunrise and sunset. Where do these colors come from? After all, the air in the atmosphere is essentially made up of nitrogen, oxygen, and water vapor, which are transparent (1). But we see blue in the sky, white in the clouds, and orange and red at sunrise and sunset... Let's try to understand. Light rays come from the Sun and are scattered by atmospheric molecules and particles. The scattering is proportional to the inverse of the wavelength raised to the fourth power. Thus, the greatest visible scattering is in violet and blue. We see the sky blue because we don't look directly at the Sun, we look to the sides where the radiation is scattered and we are less sensitive to violet. However, when the Sun is very low, the light passes through a larger layer of the atmosphere, and when it reaches us, there is almost no violet and blue left and so we see red and orange. These colors are also scattered, so the sky appears red. Interestingly, in this case, it is already possible to look directly at the Sun and we can see that it no longer has the violets and blues. On the other hand, clouds scatter all the colors multiple times (multiple scattering) and trim white. Many of the white things we see, like milk, are this color because of this phenomenon.

Heat and humidity, which are very high in East Timor, also seem to play a role in these fantastic colors. It is necessary to understand that the amount of a vapor in equilibrium with its liquid only depends on the temperature (considering the fixed pressure). Now, then, we can have more water vapor in the atmosphere if it's warmer. And if the temperature drop slightly a part of this water change to a liquid state. The richness of colors may result for having more molecules and particles in the atmosphere.

In the case of animals, heat and humidity can be problematic, as one of the ways they cool down is to sweat - releasing water vapor that condenses on the skin and cools the whole set, as condensation is an endothermic process. But if we have temperatures outside our bodies that are higher than our bodies and the air is at maximum humidity, sweating is very difficult.

East Timor is a State with about 15 thousand square meters and a little more than one million inhabitants (according to the 2010 census), located on a strategic island for the connections between the Indian and Pacific Oceans. Like other states in the region, it had a troubled history with many constraints, and lastly, the brutal occupation of Indonesia between 1975 and 1999. After independence, in 1999, the renegotiation of oil exploration and gas in the Timor Sea created dividends from this sector. But the govern know that these dividends are not eternal. Projections of oil revenues, dating from 2008, show that it is expected that these may end in 2050. I is estimated that in 2022 they will be around 700 million dollars and that in 2044 in 400 million dollars. Oil is not just for burning as fuel. We can get many things from it because it is a very versatile material. Although the fuel sector is still the most important for economies, as we continue to need a lot of energy, this material opens up many other possibilities. In parallel with discoveries and new ways of exploring oil, we are looking for new ways of obtaining energy. In this context, the education and scientific and technical preparation of the inhabitants are the greatest potential riches of a State. For the sustainable development of East Timor, it is undoubtedly necessary to count on the Economy of the Sea. And this involves better ways of obtaining and using oil, building and managing modern ports, and exploiting marine resources such as fish and algae, among many others. And, as I mentioned, all this requires scientific and technical preparation, particularly in chemistry. Think of new and routine chemical analyzes and ancestors and new processes and materials, for example.

Timor is also well known for its coffee. As almost everyone knows, coffee is obtained from the seed of the coffee tree, known as bean. This is roasted and, in the process, many of the characteristic aromas that were absent in the green seed appear. The most well-known molecule in coffee is caffeine, an alkaloid from the xanthine family. To obtain coffee, the beans are roasted and ground. Then the boiling water, when in contact with the powder, extracts the aromatic molecules and caffeine. This used to be done in coffee makers where the water was simply in contact with the powder, and what is known as “dregs” stayed together, or the solution rose to an upper reservoir through a small tube, due to the increase in pressure, or the water boiling simply passed by gravity through the powder, in the so-called sack coffee. In espresso machines, the powder is finer, but the hot water continues to pass through the powder, but now with more pressure, resulting in the extraction of essences and caffeine and the characteristic foam of this coffee.

If the discovery and optimization of processes to obtain coffee can be considered complex, that of cocoa is even more so. How did humanity discovered this? Once again, only the seed of the plant is used, which in cocoa ferments in the sun. Then it is also roasted, but less, I think. From these fermented and dried seeds, a bitter drink is made or fat is extracted, but the idea of ​​chocolate is even more complex. By mixing cocoa with sugar, it is sought to obtain a crystalline structure that has a melting region very close to room temperature and is more open, harmoniously mixing the sweetness of the sugar with the bitterness of the cocoa. Because it has a melting region close to that of the environment, chocolate “melts” in the mouth. This has one small drawback: if chocolate melts due to high ambient temperatures, it rarely returns to the same crystalline structure but rather to another structure with a larger and more closed melting region that we find less pleasant.

In what can be considered comical, but shows some of the weaknesses of the publication system and the lack of critical thinking, Bohannon and collaborators, in 2015, managed to publish, on purpose, several articles in which they “demonstrated” that chocolate with a high content of cocoa was good for weight loss! After the articles were accepted and published, the scam was publicized by the authors themselves. It's not even logical: lose weight eating sugar! But, curiously, there are so-called “chocolate” diets!

Finally, I would like to mention that using various types of chemical analysis methods it is possible to identify the geographical origin of cocoa with great precision, in the same way, that it is possible to do with coffee.

Now let's talk about other lesser-known things that impress those who are not locals. In the photos, we see a giant butterfly. I think it might be an Argema mittrei. I draw attention here to the caterpillar's preferences based on odors: eucalyptus and sweetgums, as I read. Many caterpillars are like that: they choose a specific type of plant. The silkworm caterpillar, which only wants mulberry trees, is the best known. Finally, chemical compounds, known as pheromones, play a key role in attracting female and male butterflies.

We also found interesting cooking meat in bamboo. And by the way, what means cooking meat? Simply put, it is to denature proteins and react with carbohydrates, a phenomenon that gives rise to flavors that we like a lot and which is known as Maillard reactions. In addition, it involves melting the fats, spreading them out, and making them more fluid. And, finally, lightly toast the proteins, fats, and carbohydrates, creating yet another cascade of aromas and flavors that did not exist in raw meat. And why can you cook in green bamboo without burning it? Due to water. As long as there is boiling water, the temperature does not rise more than the usual hundred degrees.

Here in Portugal, we are used to see papayas in supermarkets separated (2). But on the tree these fruits form a bunch. Carica papaya is rich in several vitamins but very curious is an anthelmintic molecule that contains benzyl isocyanate. But attention, this molecule is present only in seeds. Therefore, eating papaya has no automatic anthelmintic action.

I hope to be able to do this tour again without being virtual!

(1) The best-known composition of the atmosphere (78% nitrogen and 21% oxygen) refers to dry air. The amount of water vapor can go up to almost 4%, depending on the temperature.

(2) It was once an exotic fruit that was difficult to find in supermarkets in Portugal.

Bibliografia

Donaciano Gomes. Timor-Leste. A Economia do Mar: um contributo para o Desenvolvimento Sustentável. Aveiro: Mare liberum, 2016.

Ginger Tannenbaum. Chocolate: A Marvelous Natural Product of Chemistry. Journal of Chemical Education  81, 1131-1135, 2004.

Marino Petracco. Our Everyday Cup of Coffee: The Chemistry behind Its Magic. Journal of Chemical Education 82, 1161-1167, 2005.

Pedro T.W. Barroso, Pedro P. de Carvalho, Thiago B. Rocha, Fernando L.P. Pessoa, Debora A. Azevedo, Marisa F. Mendes. Evaluation of the composition of Carica papaya L. seed oil extracted with supercritical CO2. Biotechnology Reports 11, 110–116, 2016.

Shannon E. Stitzel, Ryan E. Sours. High-Performance Liquid Chromatography Analysis of Single-Origin Chocolates for Methylxanthine Composition and Provenance Determination. Journal of Chemical Education  90, 1227−1230, 2013